Você já se perguntou se o varejo tradicional está mesmo ameaçado? Esse questionamento vem se tornando cada vez mais frequente, na medida em que o digital cresce em ritmo acelerado.

Apenas para ter uma ideia, o varejo digital cresceu 104% apenas no segundo trimestre de 2020, faturando um total de R$33 bilhões de reais – o dobro da cifra registrada no mesmo período de 2019. 

Nesse sentido, a chave para o varejo tradicional é não ignorar esse cenário. Pelo contrário, torna-se necessário pensar em ações estratégicas para equilibrar o varejo online e offline ou, mesmo, construir presença no mundo digital para não perder evidência entre o consumidor.

Quer saber mais sobre o assunto e entender os desafios do varejo tradicional atualmente? Então confira o artigo abaixo que preparamos para você. 

Afinal quais os desafios do varejo tradicional?

A gente sabe que os consumidores estão cada vez mais comprando pela internet. Com a pandemia, então, esse processo ganhou fôlego e quem nunca tinha comprado, fez sua primeira compra (acredite, 13 milhões de brasileiros enquadram-se aqui!). 

Foi inclusive esse período de pandemia de Covid-19 que fez com que muitos varejistas notassem a importância do digital, mas de uma forma bastante amarga. Primeiro, porque tiveram que fechar o comércio temporariamente para evitar a propagação do vírus e, depois, trabalhar com medidas de restrição. Segundo, porque os consumidores passaram a se acostumar a comprar pela internet e só agora estão voltando gradualmente às compras offline.

É óbvio que esse cenário todo fez com que muitos perdessem grandes somas de dinheiro, não é mesmo? E em linha contrária, o e-commerce lucrou muito pela flexibilidade proporcionada.

Então, é precisamente aqui que temos os dois maiores desafios do varejo tradicional atualmente: a necessidade urgente de uma mudança de mindset e um trabalho forte na conquista dos consumidores, que estão cada vez mais exigentes em termos de conforto e praticidade.

O varejo tradicional vai acabar? 

Aí vem a pergunta que não quer calar: será que o varejo físico está em vias de extinção? A resposta é não, mas se a sua loja não tomar medidas para lidar com os desafios, isto é, não se adaptar, o processo não será nada fácil.

É preciso encarar a ascensão do digital enquanto uma oportunidade para aumentar a visibilidade do varejo tradicional.  Vejamos, se as pessoas estão cada vez mais presentes nas redes sociais e no mundo virtual, por que não construir presença digital por lá também? Se antigamente o consumidor buscava o contato ou endereço de uma empresa no guia telefônico, hoje ele pesquisa digitando no Google. E se você não está lá, o seu concorrente ou o concorrente do seu concorrente vai estar.

É importante estudar a possibilidade de intercalar seu varejo físico com estratégias online, afinal, utilizar tecnologias é a chave para alavancar seus resultados também. 

Confira a seguir algumas dicas para adaptar seu varejo tradicional ao cenário digital.

Opte pela integração omnichannel

A integração omnichannel é, basicamente, uma estratégia de venda que consiste na disponibilização de diversos canais de comunicação, divulgação e venda ao consumidor. 

O diferencial é oferecer uma experiência unificada para que o cliente possa alternar entre vários canais – comprar tanto na loja física, quanto na virtual, por exemplo – e ainda assim ter um atendimento, serviços e produtos excelentes independente do local escolhido.

Essa técnica parte da ideia de que “se em apenas um canal já é possível fazer um monte de coisas, imagina se combinarmos todos eles?”. Não é à toa que a integração omnichannel vem sendo muito utilizada pelos grandes players do mercado como:

  • Disney: é inegável que a mágica da Disney acontece em seus gigantescos parques de diversão, mas a experiência do cliente se inicia antes mesmo, pelo site. Lá, é possível encontrar informações detalhadas de todos os locais e destinos, hospedagem, lançamentos, ofertas, planejamento de viagem e muito mais. Após a reserva, o consumidor ainda pode acessar o aplicativo My Disney Experience e planejar toda a programação, sem falar que quando chegar no parque pode localizar nesse mesmo app todas as atrações e quanto tempo gastará em cada uma delas. É o digital e o offline se complementando!
  • Nike: a Nike já investiu mais de US$ 1 bilhão em ações de marketing omnichannel entre 2018 e 2019. O resultado disso foi um crescimento acelerado da receita digital e um aumento na fidelização de clientes. A empresa foi uma das precursoras na integração entre canais. Em 2006, por exemplo, lançou o programa NikePlus, que conectava o tênis do consumidor com seu iPod, permitindo a contagem dos passos, distância percorrida e a quantidade de calorias queimadas. Todas essas informações eram sincronizadas com o site da NikePlus. Aos poucos, a empresa foi criando uma comunidade de corredores, garantiu a retenção de clientes e uniu todos os canais da empresa, com uma experiência de compra multifacetada.
  • Magazine Luiza: no Brasil, a Magazine Luiza é uma das grandes varejistas que utilizam a estratégia. A empresa permite muitas possibilidades ao cliente, desde realizar a compra de forma online e retirar direto nos endereços físicos (BOPIS), comprar e resolver questões pelo aplicativo móvel e até ter compras muito mais ágeis a partir das tecnologias utilizadas na loja, com o vendedor concluindo o processo em menos de 5 minutos. Esse olhar atento ao digital transformou a Magazine Luiza numa potência do e-commerce brasileiro, uma vez que seu lucro líquido apenas no primeiro trimestre de 2020 disparou 740% e chegou aos R$259 milhões puxados pelo aplicativo móvel. O e-commerce da varejista cresceu 114% de um ano para o outro.

Logo, você pode implementar estratégias de marketing omnichannel no seu varejo tradicional, oferecendo opções como comprar online e buscar na loja – o clássico Buy Online Pickup in Store”- , sistemas de autoatendimento (sem necessidade de enfrentar filas, mais autonomia ao cliente), Ship from store (quando o pedido é enviado para o endereço mais próximo do cliente e ele ganha com uma entrega mais rápida).

Construir presença digital para atrair novos consumidores e fidelizar os antigos

Como já mencionamos neste artigo, hoje os consumidores estão cada vez mais conectados e ocupar um espaço no mundo digital, mesmo com seu varejo físico, pode ajudar muito a aumentar as vendas. 

Nesse cenário, você pode optar por estratégias como:

  • Criar um site de alta performance com informações sobre a loja;
  • Criar perfis nas redes sociais para atingir seu público-alvo, divulgar produtos e ofertas;
  • Cadastrar sua loja física no Google Meu Negócio, aumentando as chances de ser encontrado pelos usuários;
  • Elaborar anúncios e conteúdos personalizados a partir do marketing de conteúdo para aumentar a visibilidade;
  • Oferecer diversos canais de comunicação online para responder dúvidas e prestar um atendimento ágil ao cliente (WhatsApp, Instagram, Facebook, e-mail, etc);
  • Disparar e-mail marketing aos clientes e potenciais clientes sobre promoções e lançamentos;

Já deu para notar que as possibilidades são quase infinitas, não é mesmo? Então o importante é não temer o digital, mas se preparar para ele. Pense no case da Magazine Luiza: ela surgiu como varejo tradicional e se estabeleceu também como uma gigante do varejo online justamente porque soube se aproveitar da transformação digital. 

Em uma entrevista à renomada revista Forbes, o atual CEO Frederico Trajano diz que enquanto todo mundo falava que o comércio eletrônico ia acabar com as lojas, ele percebeu que era o oposto, afirmando que seu principal insight foi “construir um comércio eletrônico ligado à experiência da loja e às operações da empresa para obter todas as sinergias possíveis”.  

É assim que devemos pensar o varejo tradicional daqui para frente. E não, o varejo tradicional não vai acabar, mas com toda a certeza precisa agir para manter-se em evidência. 

E aí, gostou do artigo? Quer continuar se aprofundando no assunto? Então leia também nosso post Entenda como criar um ecommerce do zero.